terça-feira, 26 de março de 2013

Colégio Marupiara recebe a visita do escritor e jornalista: Alípio Freire

O Grêmio Estudantil do Colégio Marupiara receberá amanhã dia 27 de Março às 10:00, o escritor, jornalista e artista plástico Alípio Freire, para uma conversa com alunos e educadores sobre os anos de ditadura militar no Brasil e sua luta pelo restabelecimento da democracia. Além disso, serão abordados aspectos de sua atuação no Núcleo de Preservação da Memória Política, instituição da qual é presidente, bem como de seu trabalho junto às Comissões da Verdade em âmbito nacional e estadual.
Alípio Freire é jornalista, escritor e artista plástico. Nasceu em Salvador (BA) em 1945 e mudou-se para São Paulo com 16 anos, onde mora desde então. Foi militante entre 1967 e 1983 da Ala Vermelha (grupo dissidente do PC do B) e esteve preso de 1969 a 1974. Além da Operação Bandeirante e do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), esteve nos presídios Tiradentes, na Casa de Detenção do Carandiru e na Penitenciária do Estado de São Paulo.

Rosa Cleide Marques

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Manoel de Barros: O Apanhador de desperdícios

Foto: 19/12/1916 MANOEL DE BARROS = 96 anos

“Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal É maior do que o mundo.”

Poeta Amado, hoje é o dia mais belo é o seu aniversário. Te amo para sempre.
Rosinha.


O Apanhador de desperdícios


(Manoel de Barros)

Livro: Memórias Inventadas a Infância.



Uso a palavra para compor meus silêncios.

Não gosto das palavras fatigadas de informar.

Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão

Tipo água pedra sapo.

Entendo bem o sotaque das águas.

Dou respeito às coisas desimportantes

E aos seres desimportantes.

Prezo insetos mais que aviões.

Prezo a velocidade das tartarugas mais que dos mísseis.

Tenho em mim esse atraso de nascença.

Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos.

Tenho abundância de ser feliz por isso.

Meu quintal é maior do que o mundo.

Sou um apanhador de desperdícios:

Amo os restos

como as boas moscas.

Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.

Porque eu não sou da informática:

Eu sou da invencionática.

Só uso a palavra para compor meus silêncios.